domingo

Jean Piaget - Desenvolvimento cognitivo

Na década de 20, a psicologia está dominada por duas correntes que se opõem: o gestaltismo, que defende que o cérebro contém estruturas inatas que determinam o modo como o sujetio organiza o mundo e as aprendizagens, e o behaviorismo, que considera o sujeito como determinado pelos condicionalismos do meio. Para os primeiros, os conhecimentos são inatos; para os outros, são adquiridos por estímulos do ambiente.
    Piaget vai afastar-se das posições extremadas das duas correntes, propondo um novo modelo explicativo: o sujeito constrói os seus conhecimentos pelas suas próprias acções. A inteligência é, assim, produto de um processo de adaptação, no qual interagem as estruturas mentais e a influência do mundo exterior: as estruturas da inteligência são produto de um construção contínua do sujeito em interacção com o meio.
    Piaget defende uma posição interaccionista: o sujeito é um elemento activo no processo de conhecer, isto é, é um elemento decisivo nas mudanças que ocorrem nas estruturas do conhecimento, da inteligência. Assim, o conhecimento depende da interacção entre as estruturas inatas do sujetio e os dados provenientes do meio.
    Este processo interactivo desenvolve-se por etapas, que Piaget designa estádios de desenvolvimento. Esta concepção construtivista e interaccionista supera a dicotomia inato/adquirido que marca a História do pensamento.

"A mente, em linguagem corrente, não é uma simples folha de papel em branco na qual o meio escreve; mas também não é um dispositivo completamente separado que existe num isolamento glorioso.
(...)
Isto significa que a cognição é um processo permanente, de avanços e recuos, entre as pessoas e o meio. Também pode ser descrita como um processo dialético, o que significa que a cognição nunca ocorre inteiramente "dentro" da criança nem é completamente resultado de estimulação exterior. Pode ainda descrever-se a cognição como o mecanismo regulador que liga as pessoas ao meio. A ideia mais importante em todas estas diferentes descrições é que o processo cognitivo é activo e não passivo. A pessoa afecta o meio e o meio afecta a pessoa, simultanemante. Quando descrevemos as implicações específicas desta definição voltamos continuamente a este ponto básico. A criança não é um organismo vazio, nem a aprendizagem consiste em encher passivamente um recipiente vazio" 

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